Antônio Padilha Carvalho
Muitas vezes, frequentemente mesmo, salteiam-nos à imaginação as seguintes perguntas: “O QUE É A VIDA?” – “PARA QUE ELA SERVE?” – “QUAL O SEU FIM?”. Seguem-se a estas, outras não menos transcedentes: “Por que o homem não aceita a vida, como os animais, tal qual ela é?” – “Gozá-la do melhor modo, com feliz despreocupação, não seria mais prático, mais acertado do que torturar o espírito, querendo penetrar nesses mistérios insondáveis?
Hibisco - Santo Antônio de Leverger-Mt - Foto: Padilha
Daí surgiram e surgem, sistemas filosóficos e científicos que, tidos e propagados como doutrinas verdadeiras, procuram corresponder à NECESSIDADE DE SABER, inata no homem.
Na Natureza tudo se serve, tudo se
encadeia, desde o ser mais simples até o mais evoluído. O Sol atende ao seu
sistema fornecendo luz e calor para promover uma reação que mantém os elementos
vitais em circulação, sustentando a vida em todos os planetas. Os planetas em
suas órbitas, se posicionam de tal forma, que um mantém o equilíbrio do outro,
além do seu próprio, obtendo uma harmonia em todo o sistema.
Para que tenhamos a eletricidade,
necessitamos de um rio com volume de água suficiente para movimentar a usina
geradora de energia elétrica. Para manter a água necessária precisa-se da
chuva. Para que a eletricidade chegue ao seu destino, são necessários fios
condutores e assim por diante. Tudo isso funcionando em perfeita sintonia nos
fornece a energia suficiente para mantermos nossos lares com iluminação e todos
os aparelhos eletrodomésticos que nos servem em nosso dia a dia.
Hoje, com a chamada globalização, os
países envolvidos necessitam manter suas economias atualizadas e equilibradas,
porque se algum deles provocar alguma anomalia, todos os outros sentirão o
efeito negativo. Caso contrário, tudo estará bem e funcionará normalmente, com
as populações desses países, tendo empregos, alimentos e conforto. Pois é,
assim temos exemplos de como cada um de nós deve agir para manter o nosso
próprio equilíbrio e de todos aqueles que nos rodeiam e vivem em função de nós.
A vida social está na Natureza. Deus
fez o homem para viver em
sociedade. Deus não deu inutilmente a palavra e todas as
outras faculdades necessárias à vida de relação. O isolamento absoluto é
contrário à Lei Natural, pois os homens buscam a sociedade por instinto e devem
todos concorrer para o progresso, ajudando-se mutuamente. O homem deve
progredir, mas sozinho não o pode fazer porque não possui todas as faculdades:
precisa do contato dos outros homens. No isolamento, ele se embrutece e se
debilita.
Nenhum homem dispõe de faculdades
completas e é pela união social que eles se completam uns aos outros, para
assegurarem seu próprio bem-estar e progredirem. Eis porque, tendo necessidade
uns dos outros, são feitos para viver em sociedade e não isolados.
Podemos observar, assim, que a
sociedade necessita de criaturas que cooperem umas com as outras para que o
progresso geral se estabeleça. Os maiores obstáculos ao progresso são o egoísmo
e o orgulho. O egoísmo e o orgulho extremados quebram a harmonia entre os
homens, pois são eles que entravam o progresso moral, provocando a discórdia, a
malevolência, o ciúme, o sofrimento atroz, chegando a afastar o homem da vida
social, levando-o à ruína.
Está
bem reconhecido que a maioria das misérias humanas tem a sua fonte no egoísmo
dos homens. Então, desde que cada um pensa em si, antes de pensar nos outros, e
quer a sua própria satisfação antes de tudo, cada um procura, naturalmente, se
proporcionar essa satisfação, a qualquer preço, e sacrifica, sem escrúpulo, os
interesses de outrem, desde as menores coisas até as maiores, na ordem moral
como na ordem material; daí todos os antagonismos sociais, todas as lutas,
todos os conflitos e todas as misérias, porque cada um quer despojar o seu
vizinho.
O
egoísmo tem a sua fonte no orgulho. A exaltação da personalidade leva o homem a
se considerar como acima dos outros, crendo-se com direitos superiores, e se
fere com tudo o que, segundo ele, seja um golpe sobre os seus direitos. A
importância que, pelo orgulho, liga à sua pessoa, torna-o naturalmente egoísta.
O
egoísmo e o orgulho têm a sua fonte num sentimento natural: o instinto de
conservação. Todos os instintos têm sua razão de ser e sua utilidade, porque
Deus nada pode fazer de inútil. Deus não criou o mal; foi o homem que o
produziu pelo abuso que fez dos dons de Deus, em virtude de seu livre arbítrio.
Esse sentimento, encerrado em seus justos limites, portanto, é bom em si; é o
exagero que o torna mau e pernicioso; ocorre o mesmo com todas as paixões que o
homem, freqüentemente, desvia de seu objetivo providencial. De nenhum modo Deus
criou o homem egoísta e orgulhoso; criou-o simples e ignorante; foi o homem que
se fez egoísta e orgulhoso exagerando o instinto que Deus lhe deu para a sua
conservação.
Para compreendermos o efeito negativo do egoísmo e do orgulho, buscamos na inteligente letra da música “Geni e o Zepelim” de Chico Buarque, que Diz:
De tudo que é
nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geleia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo: "Mudei de ideia!"
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geleia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo: "Mudei de ideia!"
Quando vi nesta cidade
Tanto horror e iniquidade
Resolvi tudo explodir
Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Esta noite me servir
Tanto horror e iniquidade
Resolvi tudo explodir
Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Esta noite me servir
Essa dama era Geni!
Mas não pode ser Geni!
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni!
Mas não pode ser Geni!
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni!
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
(E isso era segredo dela)
Também tinha seus caprichos
E ao deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
(E isso era segredo dela)
Também tinha seus caprichos
E ao deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai, Geni!
Vai com ele, vai, Geni!
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni!
Vai com ele, vai, Geni!
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni!
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!
Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!
"Porque nenhum de nós vive para si".
(Paulo aos Romanos,14:7)
Porque nenhum de
nós vive exclusivamente para si, e nenhum de nós morre apenas para si mesmo. Se vivemos, para o Senhor vivemos;
e, se morremos, é para o Senhor que morremos. Sendo assim, quer vivamos ou
morramos, pertencemos ao Senhor. …
