segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A vida em sociedade



Antônio Padilha Carvalho

 

Muitas vezes, frequentemente mesmo, salteiam-nos à imaginação as seguintes perguntas: “O QUE É A VIDA?” – “PARA QUE ELA SERVE?” – “QUAL O SEU FIM?”. Seguem-se a estas, outras não menos transcedentes: “Por que o homem não aceita a vida, como os animais, tal qual ela é?” – “Gozá-la do melhor modo, com feliz despreocupação, não seria mais prático, mais acertado do que torturar o espírito, querendo penetrar nesses mistérios insondáveis? 

 

Hibisco - Santo Antônio de Leverger-Mt - Foto: Padilha

 

 Daí surgiram e surgem, sistemas filosóficos e científicos que, tidos e propagados como doutrinas verdadeiras, procuram corresponder à NECESSIDADE DE SABER, inata no homem.


Na Natureza tudo se serve, tudo se encadeia, desde o ser mais simples até o mais evoluído. O Sol atende ao seu sistema fornecendo luz e calor para promover uma reação que mantém os elementos vitais em circulação, sustentando a vida em todos os planetas. Os planetas em suas órbitas, se posicionam de tal forma, que um mantém o equilíbrio do outro, além do seu próprio, obtendo uma harmonia em todo o sistema.

Para que tenhamos a eletricidade, necessitamos de um rio com volume de água suficiente para movimentar a usina geradora de energia elétrica. Para manter a água necessária precisa-se da chuva. Para que a eletricidade chegue ao seu destino, são necessários fios condutores e assim por diante. Tudo isso funcionando em perfeita sintonia nos fornece a energia suficiente para mantermos nossos lares com iluminação e todos os aparelhos eletrodomésticos que nos servem em nosso dia a dia.

Hoje, com a chamada globalização, os países envolvidos necessitam manter suas economias atualizadas e equilibradas, porque se algum deles provocar alguma anomalia, todos os outros sentirão o efeito negativo. Caso contrário, tudo estará bem e funcionará normalmente, com as populações desses países, tendo empregos, alimentos e conforto. Pois é, assim temos exemplos de como cada um de nós deve agir para manter o nosso próprio equilíbrio e de todos aqueles que nos rodeiam e vivem em função de nós.

A vida social está na Natureza. Deus fez o homem para viver em sociedade. Deus não deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação. O isolamento absoluto é contrário à Lei Natural, pois os homens buscam a sociedade por instinto e devem todos concorrer para o progresso, ajudando-se mutuamente. O homem deve progredir, mas sozinho não o pode fazer porque não possui todas as faculdades: precisa do contato dos outros homens. No isolamento, ele se embrutece e se debilita.

Nenhum homem dispõe de faculdades completas e é pela união social que eles se completam uns aos outros, para assegurarem seu próprio bem-estar e progredirem. Eis porque, tendo necessidade uns dos outros, são feitos para viver em sociedade e não isolados.

Podemos observar, assim, que a sociedade necessita de criaturas que cooperem umas com as outras para que o progresso geral se estabeleça. Os maiores obstáculos ao progresso são o egoísmo e o orgulho. O egoísmo e o orgulho extremados quebram a harmonia entre os homens, pois são eles que entravam o progresso moral, provocando a discórdia, a malevolência, o ciúme, o sofrimento atroz, chegando a afastar o homem da vida social, levando-o à ruína.
Está bem reconhecido que a maioria das misérias humanas tem a sua fonte no egoísmo dos homens. Então, desde que cada um pensa em si, antes de pensar nos outros, e quer a sua própria satisfação antes de tudo, cada um procura, naturalmente, se proporcionar essa satisfação, a qualquer preço, e sacrifica, sem escrúpulo, os interesses de outrem, desde as menores coisas até as maiores, na ordem moral como na ordem material; daí todos os antagonismos sociais, todas as lutas, todos os conflitos e todas as misérias, porque cada um quer despojar o seu vizinho.
O egoísmo tem a sua fonte no orgulho. A exaltação da personalidade leva o homem a se considerar como acima dos outros, crendo-se com direitos superiores, e se fere com tudo o que, segundo ele, seja um golpe sobre os seus direitos. A importância que, pelo orgulho, liga à sua pessoa, torna-o naturalmente egoísta.
O egoísmo e o orgulho têm a sua fonte num sentimento natural: o instinto de conservação. Todos os instintos têm sua razão de ser e sua utilidade, porque Deus nada pode fazer de inútil. Deus não criou o mal; foi o homem que o produziu pelo abuso que fez dos dons de Deus, em virtude de seu livre arbítrio. Esse sentimento, encerrado em seus justos limites, portanto, é bom em si; é o exagero que o torna mau e pernicioso; ocorre o mesmo com todas as paixões que o homem, freqüentemente, desvia de seu objetivo providencial. De nenhum modo Deus criou o homem egoísta e orgulhoso; criou-o simples e ignorante; foi o homem que se fez egoísta e orgulhoso exagerando o instinto que Deus lhe deu para a sua conservação.

Para compreendermos o efeito negativo do egoísmo e do orgulho, buscamos na inteligente letra da música “Geni e o Zepelim” de Chico Buarque, que Diz:

 

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada

Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geleia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo: "Mudei de ideia!"
Quando vi nesta cidade
Tanto horror e iniquidade
Resolvi tudo explodir
Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Esta noite me servir
Essa dama era Geni!
Mas não pode ser Geni!
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni!
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
(E isso era segredo dela)
Também tinha seus caprichos
E ao deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai, Geni!
Vai com ele, vai, Geni!
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni!
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!
Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!

 

"Porque nenhum de nós vive para si".
(Paulo aos Romanos,14:7)

Porque nenhum de nós vive exclusivamente para si, e nenhum de nós morre apenas para si mesmo. Se vivemos, para o Senhor vivemos; e, se morremos, é para o Senhor que morremos. Sendo assim, quer vivamos ou morramos, pertencemos ao Senhor. …


domingo, 20 de julho de 2014

PRINCÍPIO DO VAZIO




            Você tem o hábito de juntar objetos inúteis, acreditando que um dia, (não sabe quando) vai necessitar deles? 
           Tem o hábito de juntar dinheiro sem gastá-lo, pois imagina que ele no futuro  poderá faltar? 
             Tem o hábito de guardar roupas, sapatos, móveis, utensílios domésticos e outras coisas que já não usa há muito tempo? 
          E dentro de você? Tem o hábito de guardar raivas, ressentimentos, tristezas,  medos e outros sentimentos negativos? 
              Não faça isso! Vai contra a sua prosperidade! 
            É preciso deixar um espaço, um vazio para que novas coisas cheguem  à sua vida. É preciso se desfazer do inútil que há em você e em sua vida para que a prosperidade possa acontecer.
              A força desse vazio é que atrairá e absorverá tudo o que deseja. 
             Se acumular objetos e sentimentos velhos e inúteis, não terá espaço para novas  oportunidades. Os bens necessitam circular.
             Limpe as gavetas, os armários, o depósito, a garagem… a MENTE…
          Doe tudo aquilo que já não usa… A atitude de guardar um monte de coisas inúteis  só acorrenta a sua vida. 
             Não são só os objetos guardados que paralisam sua vida.
        Eis o significado da atitude de guardar: quando se guarda, se considera a possibilidade de falta, de carência….
          Acredita-se que, amanhã, poderá faltar e que não haverá maneira de suprir as necessidades. Com esse pensamento, está enviando duas mensagens ao seu cérebro e à sua vida: 1ª... A de que não confia no amanhã; 2ª... Que o novo e o melhor, NÃO são para você… Já que alegra guardando coisas velhas e inúteis! 
            Deixa entrar o novo em sua casa… E dentro de você…”
          Renove-se. Guarde somente alegrias, carinhos, felicidades, confiança, fé, amigos, bondade, amor...
          Coisas que fazem você voar alto.
          Limpa também a sua alma. Jogue fora os ressentimentos, as mágoas, os medos, os desentendimentos, as tristezas...
           Essas coisas amarram e amargam as nossas vidas.

 (Joseph Newton – Adaptado por Prof. Antônio Padilha de Carvalho)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

PRIMEIRA SESSÃO DE INICIAÇÃO DA ARLS:. UNIVERSITÁRIA LEÔNIDAS PEREIRA MENDES

 
 
 
 
 
Fundada em 13 de Janeiro de 2012, a ARLS:. UNIVERSITÁRIA LEÔNIDAS PEREIRA MENDES - Or:. de Cuiabá-Mt, realizou dia 15.06.2013 a sua primeira Sessão de Iniciação, trazendo para o seu seio, seis valorosos Irmãos.
 
V:.M:. Antônio Padilha de Carvalho
 
O Venerável Mestre: Antônio Padilha de Carvalho, após a cerimônia iniciática, deu as boas vindas aos familiares dos iniciados, explicando que a Maçonaria é na verdade uma escola do aprimoramento intelectual, moral e espiritual do indivíduo, para combater os vícios e preconceitos, as superstições e ignorância, o fanatismo, o egoísmo, as ambições, o despotismo. Que a Maçonaria luta em prol da felicidade do homem, pela ereção do Templo da Virtude, para honra e glória do Grande Arquiteto do Universo, que é DEUS.
 
 
A Cunhada Adelaide Carvalho de Castro esteve presente à Cerimônia sendo recebida pela 1ª Dama da Loja Universitária Teresinha Maria das Graças.
 
O ingresso do candidato na Instituição Maçônica constitui o princípio mais importante previsto em toda sua legislação, pois é o passo primeiro para sua vivência na Fraternidade.
Uma vez iniciado, jamais deixará de ser maçom. Haja o que houver!

 
Os familiares dos Novos Irmãos estiveram presentes no Salão de festas da Loja Maçônica Acácia do Rio Abaixo, em Santo Antônio de Leverger-Mt, onde aconteceu a Iniciação.
 
Nenhum Cidadão integra a Sublime Ordem ex-officio, ou seja, sem que algum maçom regular o apresente e afiance seus predicados morais, além de outras exigências contidas no Artigo Terceiro do Código Landmarks de Mackey: crença do Ser Supremo do Universo, vida post-mortem, bons costumes, amante da liberdade com responsabilidade e cultivo da moral e ética.
São exigências que integram a substância maçônica figurando como Landmarks de Albert Galletin Mackey admitidos pela quase unanimidade da consciência maçônica.

A cunhada Salustra Graças recebe da 1ª Dama e Mãe, um arranjo de flores como lembrança do momento maçônico 

Etimologicamente, a palavra iniciar, do latim initiare – in, para o interior e ire, ir, caminhar – exprime a ideia de caminhar para dentro de algo, ir em direção ao seu interior para começar uma nova atividade que, na Sublime Ordem é tornar-se um Filho da Luz, saindo das trevas que é a vida profana. Esse momento de ingresso faz surgir para o iniciado uma nova vida voltada para seu aperfeiçoamento espiritual, intelectual e material, mas também direcionado ao amor fraterno, ajuda aos necessitados na medida do possível (filantropia), tolerância, respeito ao próximo.

O Ir:. Vankley ladeado pela cunhada Adelaide Castro e pela sobrinha Laura Graças que representou a sua esposa Antonielle Siqueira.
 

No mais absoluto sigilo, o processo de iniciação começa com a proposta de um cidadão por um mestre maçom. Efetuam-se diversas investigações. Só pessoa de destacadas características é desejada e introduzida na ordem Maçônica numa cerimônia especial determinada a testar seu valor.


 O Ir:. Luis Carlos Pinto de Oliveira e Cun:. Sandra Regina de Figueiredo Gomes Oliveira, recepcionada pela cun:. Ivania do Rosário.


No dia de sua iniciação o maçom inicia uma jornada que durará o resto de sua vida. Passa a construir a si próprio por utilizar-se das ferramentas que estão espalhadas pelas oficinas maçônicas.

 A Maçonaria propicia as ferramentas, ele a matéria prima, a pedra. Ele é a pedra. E somente ele a pode trabalhar, porque só ele tem o poder e a capacidade de modificá-la. E assim burilada, por quem tem o interesse maior, vai resultar um ser humano que sabe equilibrar Amor, Vontade e Intelecto, constituindo este o centro do grande tema da Maçonaria.


A Cun:. Marta Esteves dos Santos, esposa do Ir:. Olegário de Souza Neto, recebendo das mãos da Cun:. Cida o buquê de flores.
 
Desbastar a pedra bruta é tarefa individual que os Maçons perseguem nem tanto em sentido estrito da moral e da ética, porém, mais na dimensão da elevação espiritual e aprimoramento de caráter em seu sentido mais lato. As lascas, o cascalho, que caem neste trabalho são os defeitos e imperfeições, como preconceitos, ignorância, fanatismo, orgulho, e outros.
E só depois de disciplinada e diligente atividade no desbaste de sua pedra bruta é que o iniciado vai encontrar, lá dentro de si, o espírito, a alma, o transcendental.

A Cun:. Eliane Campos Botelho Ribeiro oferece à Cun:. Rosângela Garcia, esposa do Ir:. Anderson Rossini Pereira, o ramalhete de flores em nome da Maçonaria Universal.
 
A Iniciação tem como objecto conduzir o indivíduo até ao Conhecimento por meio de uma iluminação interior, projecção e apreensão no centro do Eu humano da luz transcendente. Constitui o verdadeiro "baptismo maçónico". É o começo de uma vida nova. É através da iniciação que um indivíduo recebe os primeiros conhecimentos de uma sociedade secreta que se chama Maçonaria, ingressa na Ordem, transformando-se em Irmão e inicia a aprendizagem dos segredos da Maçonaria, saindo das "trevas" para a luz.
A Cun:. Alini D. Colman esposa do Ir:. Lincoln Ribeiro Taques, recebeu da Cun:. Maria de Fátima as rosas maçônicas com votos de felicidades pela entrada do casal ao mundo Maçônico.
 
As iniciações Maçónicas vêm, ao longo dos anos,  sendo associadas aos chamados Antigos Mistérios.
Os mistérios de Mitra, de Ceres, dos Essênios, têm sido colocados como pontos de partida para as iniciações Maçónicas.
A iniciação é um processo continuo que tem como finalidade proporcionar o desenvolvimento da qualidade de Maçon. Nenhum Irmão deve pensar que a partir do momento do cerimonial, passa de Neófito para Maçon. A iniciação não é um processo de revelação repentina. É o inicio de um caminho de aprendizagem através dos tempos no qual nos vamos tornar uns verdadeiros maçons.
A iniciação apenas nos oferece os instrumentos para o nosso aperfeiçoamento e transformação.
O método da iniciação é uma via essencialmente intuitiva. Esta é a razão porque a franco-maçonaria usa símbolos - um símbolo é uma imagem sensível utilizada para exprimir uma ideia oculta, mas analógica - que servem para provocar a iluminação através da aproximação analógica Esta linguagem tradicional, imemorial e universal permite estabelecer, através do tempo e do espaço, a relação adequada entre o sinal e as ideias.
Que o Grande Arquiteto do Universo ilumine e guarde os iniciados em nossos augustos mistérios!
 

O que vieste aqui fazer?




Valdir Pereira de Castro

O G:.A:.D:.U:. se revela pelas suas obras!

Em toda parte e em todos os tempos, e se lançarmos o olhar em torno de nós mesmos, sobre as obras da natureza, notamos a providência, a sabedoria, a harmonia que consiste em cada canto e recanto do universo.
Quem somos nós? Por que estamos aqui? O que viemos aqui fazer? Quais são as nossas crenças sobre a vida?

Há milhares de anos os Homens Maçons vêm sendo aconselhados a se interiorizar para obter respostas a essas perguntas. Mas o que significa se interiorizar?

Dentro de nós existe um poder capaz de amorosamente nos dirigir para uma saúde perfeita, relacionamentos perfeitos, carreiras profissionais perfeitas e que pode nos trazer prosperidade em todas as áreas. Para possuir isso, nós primeiro temos de acreditar na possibilidade dessa perfeição. Em seguida, devemos dispor dos padrões que criam as condições indesejáveis. Conseguimos isso a partir da interiorização e ligação com o Poder Maior, o G:.A:.D:.U:.

Deus nos criou simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento, porém, nos dotou de recursos a que podemos adquirir pouco a pouco a ciência, conduzindo -nos a perfeição relativa. 

Nossas mentes estão sempre ligadas a uma Mente Única e Infinita e, portanto, todo o conhecimento e sabedoria estão disponíveis para nós a qualquer momento.

Somente com suavidade, paciência e calma, conseguimos esculpir o nosso íntimo, realizando a reforma de nossas almas com o objetivo de encontrar felicidade.

Somente com suavidade, paciência e calma, conseguimos esculpir o nosso mundo, realizando sua modificação para melhor.

O martelo que destrói está nas críticas cruéis, nas palavras grosseiras que saem de nossas bocas e ferem a auto-estima das pessoas à nossa volta.

Enquanto a doçura da água está nos conselhos edificantes, na atenção e paciência com que ouvimos a alguém, nas palavras de estímulo, no elogio animador.

O martelo destruidor está no acúmulo da culpa em nosso coração, na auto-exigência desequilibrada, na falta de amor próprio.

A docilidade da água está na compreensão de nossas dificuldades, no auto-perdão, e na disposição constante para corrigir os nossos erros.

Em nossos dias, na análise de nosso comportamento, de nossas ações, lembremos sempre da delicadeza da água moldando as rochas através dos tempos.

Procuremos conquistar a paciência e a tranqüilidade, certos de que são virtudes dinâmicas, que nos fazem seres pacíficos.

Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir.

A suavidade, a delicadeza, são o amor expresso nas pequenas coisas, nos gestos aparentemente simples, mas que revelam nossa preocupação com o próximo.

O G:.A:.D:.U:. criou leis justas e sabias. Ele deu o suficiente e necessário para nos melhorarmos.

Façamos exercícios de introspecção, passemos a nos conhecer, tomar ciência de nossa personalidade, assim teremos condições de nos avaliarmos melhor.

Somos seres perfectíveis, está inserido em nós a essência divina, porém,  pelo esforço próprio, haveremos de obter as conquistas necessárias de qualquer natureza, especialmente as que realmente nos são valiosas tais como: compreensão, tolerância, perdão, pacificação, afabilidade... 

Somos espíritos em evolução buscando o conhecimento, cada um agindo de acordo com o grau de entendimento que lhe é próprio, com a consciência propulsora de suas ações, buscando sempre a perfeição.

Se o Homem conhecesse o futuro negligenciaria o presente e não agiria com a mesma liberdade na construção do mesmo. 

É justamente o que construirmos hoje que será a construção do nosso amanhã. Por isso estamos aqui.

Somos os únicos que podem salvar o mundo. Ao nos juntarmos em uma causa comum, encontramos as respostas. Devemos sempre nos lembrar de que existe uma parte de nós que é mais do que nosso corpo, mais do que nossa personalidade, mais do que nossa doenças, mais do que nosso passado. Ela é nosso cerne, o puro espírito. Ele é eterno. Sempre foi e sempre será.

Estamos aqui para amar a nós mesmos e amarmos uns aos outros. Agindo assim, encontraremos respostas que nos curarão e curarão o planeta. Estamos atravessando uma época extraordinária. Tudo está mudando. Talvez nem conheçamos a profundidade dos problemas, mas encontraremos soluções para eles.

Somos espírito. Somos livres. Nós nos ligamos em um nível espiritual e sabemos que esse nível nunca poderá ser tirado de nós. No nível do espírito, somos todos um só. E somos livres. E assim é. 

E se alguém lhe indagar: O que vieste aqui fazer?

Referências

JORNAL FRATERNIDADE - EDIÇÂO nº 11 ANO II - SET-OUT/2003;

Louise Hay, O Poder dentro de você; Editora Best Seller – 4ª Edição – Círculo do Livro – São Paulo-SP – 1991;

Momento Espírita (www.momento.com.br) Redação do Momento Espírita, com base em Yomaktub.

COMO RECONHECER UM MAÇOM!



 

 Zanizor Rodrigues da Silva

 Comungamos com as propostas do estudioso Ir:. W.S.S., quando assevera que para “ser reconhecido Maçom podemos até por um simples PIM na lapela.  Por isso nossa preocupação deve ser:   Que qualidade de Maçom sou reconhecido?  Um Maçom de ouro ou um Maçom apenas dourado (ou nem isso...)?

Maçons existem que se acomodam, julgando que, atingindo o grau de Mestre estão na plenitude maçônica.  Na verdade, considerando a Maçonaria Simbólica é o último grau.   Porém, não se pode dizer com isso sejam ‘justos e perfeitos’, vez que o desbaste da pedra bruta somente termina com a nossa ida para o Oriente Eterno.  Assim sendo, triste do Maçom que aposenta seu Maço e seu Cinzel.   Porque a construção de nosso Templo interior só termina com o final de nossa vida material.  E não é  suficiente somente esquadrejarmos a Pedra Bruta.  Necessário se faz também deixá-la bem polida.

Diz o L:.L:. que fomos criados à imagem do G:.A:.D:.U:. (Gên. 1,26); porém a semelhança precisa ser conquistada.  O desbaste da nossa pedra bruta, poderá resultar numa ‘obra de arte’ ou num ‘monstrengo’.  Se o monstrengo for o resultado final, o Criador nos irá arguir:   “É isto que me apresenta no final de sua caminhada”?!

Nossa responsabilidade vai além do próprio desbaste.  Precisamos ajudar os Irmãos na caminhada, não só com nosso bom exemplo, como alertando os acomodados para um melhor desempenho maçônico.

Não basta ser reconhecido Maçom.   É preciso também ser reconhecido como MISSIONÁRIO, como autêntico CONSTRUTOR SOCIAL.
       
As duas horas templárias são importantíssimas para recarregarmos nossas baterias.  Assim, não devemos faltar às reuniões da nossa Loja.  Até como desculpa, alguns dizem que já fazem maçonaria, fora do templo. Ótimo.  Isso é um dever de todo bom maçom.  Mas não o isenta do comparecimento às Reuniões.

Alguns dizem que não vai à Loja, porque as reuniões são da mesmice.  Ora, se a Loja entrou numa mesmice a culpa é de todos e de cada um.  Use-se então o Saco de Propostas e Informações, não para criticar mas para sugerir melhoras.   O bom Maçom participa de tudo de sua Loja, de suas decisões, de seus projetos.  O bom Maçom não se distancia de seus Irmãos;  a prática da fraternidade se faz com o bom convívio (Sl 133).

Quando falo aos Aprendizes costumo perguntar ‘quem é o responsável pela Loja’ e a maioria deles dizem ser o Venerável Mestre.  Apontando para ele(s) afirmo:  O responsável é você.   Somos todos nós.

Talvez muitos Mestres não digam que a responsabilidade da Loja seja do Venerável, mas pensam e agem como se assim o fossem.  Por isso não acham grave faltar às Reuniões, motivo porque algumas Lojas têm até abatido colunas.

Seria bom cada um contemplasse o ‘OLHO QUE TUDO VÊ’, a onisciência divina, e refletisse: “Como me vê o G:.A:.D:.U:.?   Um maçom responsável, presente, participativo, fraterno, preocupado com o bom desempenho da Maçonaria?”

O progresso na maçonaria também se consegue pelo estudo, pela pesquisa, pela apresentação de Peças de Arquitetura.  Quem assim faz aprende sempre mais e enriquecem também os outros com seus conhecimentos partilhados.  (“A luz que tu levas para alguém, vai iluminar-te também”).  Não faz sentido Mestre que não ensina.”

Precisamos também, fora dos nossos templos, demonstrarmos quem somos nós, através da necessária Gentileza Urbana. O bom exemplo de cidadão deve ser nossa meta.

“Dar um bom exemplo não custa nada e tem impactos positivos. Pequenas ações fazem o dia a dia ficar mais leve e feliz, como dizer “bom dia”, “por favor” e “obrigado”. O cidadão que dá bom exemplo é aquele que tem atitudes positivas não só no trabalho e na rua, para que as pessoas vejam, mas também dentro de casa, sem esperar nenhum elogio.
Estimular o hábito de leitura dos filhos será muito mais fácil se os próprios pais gostarem de ler e fizerem isso com frequência. O mesmo princípio vale para a alimentação. A criança aprende em casa, com a família, sobre a importância de ingerir comida saudável, como frutas, verduras e legumes.
Pequenos gestos são contribuições importantes à coletividade
O bom exemplo de cidadão é aquele que também se preocupa com o meio ambiente: apaga as luzes ao sair de casa, fecha bem as torneiras e separa o lixo para reciclagem. Ele está preocupado com o planeta em que as pessoas viverão dentro de anos, décadas e séculos, mesmo que não esteja mais presente para conhecer as gerações futuras.
Ler muito, comer direito, apagar as luzes ao sair... Isso tudo envolve ações que podem ser vistas. Mas mesmo as coisas “invisíveis” têm efeitos positivos, como estar de bom humor e receptivo às pessoas que nos cercam. Ser carinhoso com a mulher ou o marido, além de fazer bem para o casal, é uma forma de ensinar valores de gentileza aos filhos.
As crianças, aliás, só se transformarão em adultos gentis se tiverem um bom exemplo dentro de casa, se fizerem parte de uma família na qual todos se tratam bem. O cidadão deve ter paciência e tolerância com seus filhos. Crianças e adolescentes estão numa fase de descobrimento. Se forem tratados com carinho, esses jovens cidadãos passarão adiante todas as boas lições que aprenderem.”

                                                                      Zanizor Rodrigues da Silva


Referências:

domingo, 16 de junho de 2013

OS ENSINOS DE JESUS E OS PRINCÍPIOS MAÇÔNICOS





                                                                       *Antônio Padilha de Carvalho

"Pedreiro Livre" Arte Plástica de Jovelina Tavares Salomão - Acervo e foto: Padilha
Quando examinamos a vida de Jesus, descobrimos haver ele de fato praticado tão fielmente o que pregava, haver vivido tão semelhantemente à sua própria exaltada concepção do que faria Deus se Deus fosse um homem. Da mesma sorte, nós homens-maçons, buscando seguir as orientações da Maçonaria Universal, veremos o quanto são parecidos os princípios que norteiam nossos trabalhos e os ensinamentos do Cristo.
Jesus Cristo, o Mestre dos Mestres, ensina as pessoas que nas falhas e lágrimas se esculpe a sabedoria; ensina a todos a contemplar as coisas simples e a navegar nas águas da emoção. Ele ensina a não ter medo de viver e a superar os momentos mais difíceis da nossa história; ensina que a vida é o maior espetáculo no teatro da existência; ensina que os fracos julgam e desistem, enquanto os fortes compreendem e têm esperança.
Todas as obras humanas constituem a resultante do pensamento das criaturas. O mal e o bem, o feio e o belo viveram, antes de tudo, na fonte mental que os produziu, nos movimentos incessantes da vida.
O Evangelho de Jesus consubstancia o roteiro generoso para que a mente do homem se renove nos caminhos da espiritualidade superior, proclamando a necessidade de semelhante transformação, rumo aos planos mais altos. Não será tão somente com os primores intelectuais da Filosofia que o discípulo iniciará seus esforços em realização deste teor. Renovar pensamentos não é tão fácil como parece a primeira vista, uma vez que demanda muita capacidade de renúncia e profunda dominação de si mesmo, qualidades que o homem não consegue alcançar sem trabalho e sacrifício do coração. Pensar é criar.
A Maçonaria é uma instituição filosófica cuja finalidade é a propagação de sua doutrina que tem como princípios basilares a igualdade, a liberdade e a fraternidade, buscando aplicar esses ensinamentos às suas atividades sociais e políticas em benefício da sociedade em que vivemos.
O mundo não vai muito bem e nele ainda predomina o mal, mas para a sua melhora é imprescindível que todos os homens, sem distinção de nascimento, nacionalidade ou religião, façam esforços para se aperfeiçoar.
Os homens maçons não são perfeitos nem se pretende que o sejam. Todavia, em razão de seu ideal e de sua filosofia, esforçam-se para se aperfeiçoar, não somente para progredir na senda de sua própria evolução espiritual, mas também para contribuir para o bem-estar alheio. Assim, eles são simultaneamente espiritualistas e humanistas, sendo o humanismo, na verdade, uma forma de espiritualidade.
O Mestre Jesus ensina e mostra que os seres humanos não são perfeitos e que decepções, frustrações e perdas sempre acontecerão; ensina que Deus é o artesão do espírito e da alma humana; ensina que da mais longa noite surgirá o mais belo amanhecer, basta esperar, sem medo.
Jesus apresentava-se como esperança aos aflitos. Ensinava a todos um novo Testamento, melhoria da antiga lei, fraternidade entre os homens, pois todos eram filhos de Deus; o fim das velhas rixas, de contendas sanguinolentas e ódios; perdão constituía a resposta às desavenças raciais e religiosas; amor para cicatrizar todas as feridas. Essa lição de tolerância foi seu primeiro ensinamento público.
Os princípios da maçonaria baseiam-se em sentimentos de profundo amor pela família, pela pátria, respeito ao próximo e a vontade pessoal de viver uma vida virtuosa.
Jesus não freqüentou escola, era um simples carpinteiro, mas, para nossa surpresa, expressou as funções mais ricas da inteligência: era um especialista na arte de pensar, na arte de ouvir, na arte de expor e não impor idéias, na arte de refletir antes de reagir.
O Mestre teve sua existência pautada por desafios, perdas, frustrações e sofrimentos de toda ordem. Ele tinha todos os motivos para sofrer de depressão durante sua trajetória de vida, mas não a manifestou; pelo contrário, era alegre e seguro no território da emoção. Tinha também todos os motivos para ter ansiedade, mas não a demonstrou; pelo contrário, era tranqüilo, lúcido e sereno.
Por meio das idéias simbólicas e de alegorias ensinadas pelos rituais e livros, o maçom aprende os princípios do Amor Fraternal, da Assistência e da Lealdade.
Diante das mais dramáticas situações, Jesus demonstrou ser o Mestre dos Mestres da escola da vida. Os sofrimentos, em vez de abatê-lo, expandiam sua sabedoria. As perdas, em vez de destruí-lo, refinavam-lhe a arte de pensar. As frustrações, em vez de desanimá-lo, renovavam-lhe as forças.
Uma filosofia, seja ela qual for, é sempre um esforço do ser humano para conhecer-se a si mesmo e definir sua posição no conjunto das coisas e dos seres que o cercam, com o objetivo de extrair desse conhecimento uma norma de conduta.
Os maçons não são seres perfeitos, também são passíveis de erros e imperfeições. No entanto, em razão do ideal e da filosofia que desenvolvem, esforçam-se de maneira continuada em busca da perfeição, não somente para progredir na senda de sua própria evolução espiritual, mas também para contribuir para o bem-estar alheio.
Jesus nunca desistia de ninguém, por mais que o frustrassem. Sob seu cuidado afetivo, as pessoas começaram a contemplar a vida por outra perspectiva.
Os homens maçons têm consciência de que estão neste planeta a fim de cumprir uma missão, reconhecendo a sua natureza divina, expressando sua latente perfeição nos seus comportamentos.
Investigar a personalidade de Jesus Cristo nos fará assimilar mecanismos para expandir nossa qualidade de vida e prevenir as mais insidiosas doenças psíquicas da atualidade: a depressão, a ansiedade e o estresse.
Caso o homem possuísse o domínio das leis que governam o Universo, a filosofia seria uma ciência exata. Na ausência de bases mais sólidas, alicerçam-se as diferentes filosofias em certos postulados fundamentais. Adotar uma filosofia é admitir como verdade os seus postulados.
Cristo não apenas causou perplexidade nas pessoas mais cultas da sua época como ainda hoje seus pensamentos e intenções são capazes de perturbar a mente de qualquer um que queira estudá-lo em profundidade e sem julgamentos preconcebidos.
A filosofia universal seria aquela cujos postulados fossem tão amplos, tão gerais que satisfizessem ações da natureza humana, tantas são as influências que do meio exterior recebe o espírito, que uma filosofia assim seria tão vaga quão inexpressiva e inútil.
Via de regra, toda virtude tem uma contraparte negativa, pois o ego, enquanto não é dominado, opõe-se à alma e cria uma contínua relação conflituosa com ela. O orgulho prevalece em qualquer pessoa que não tenha adquirido a humildade, quase sempre porque ela privilegia as aparências e a imagem que passa de si mesma aos outros.
Jesus incendiou o mundo com a sua vida e sua história. Há mais de dois bilhões de pessoas que dizem amá-lo, pertencentes a inúmeras religiões.
A filosofia maçônica é uma filosofia espiritualista, ela admite a evolução contínua e harmônica do Universo, sob leis imutáveis, expressão de uma inteligência suprema, o princípio criador, a quem se denomina Grande Arquiteto do Universo.
O Cristo usou cada segundo do seu tempo, cada pensamento da sua mente e cada gota do seu sangue para mudar o destino não apenas do povo judeu, mas de toda a humanidade. Ninguém foi como ele.
Os postulados maçônicos são tão amplos que se ajustam a quaisquer doutrinas espiritualistas e, se não satisfazem também às concepções materialistas, todavia não se chocam com aquelas que admitem a regência do Universo por um sistema de leis imutáveis.
Jesus, por via de seus ensinamentos, aliviou a dor de todas as pessoas que o procuraram ou que cruzaram o seu caminho, mas quando precisou aliviar sua própria dor agiu com naturalidade, esquivou-se de usar o seu poder, afirmando: “Foi precisamente para esta hora que eu vim”. (JOÃO, 12:27)
O homem maçom procura sabiamente ajustar-se a harmonia que a tudo preside no Universo, evitando os choques e atritos que causam a infelicidade humana. Inicialmente, ele procura a harmonia interior, disciplinando seus impulsos e sentimentos, burilando seu caráter, conquistando o equilíbrio espiritual. Senhor de si mesmo, controla perfeitamente suas ações, dominando suas paixões, seus instintos irracionais, seus impulsos egoístas.
Posto que assim amplos e aceitáveis por quaisquer espíritos dotados de senso comum, nem por isso erigem os postulados maçônicos em dogmas intangíveis, não constituem limites à livre investigação da verdade, porquanto a própria maneira de os compreender e interpretar é suscetível de evolução no íntimo de cada um.
Os homens maçons empreendem a aventura de estudar Jesus.
Evoluindo espiritualmente, o maçom aprende a desprezar as ambições puramente materiais que perturbam a paz interior e o fazem insatisfeito, frustrado e infeliz.
O objetivo do Mestre de Nazaré era romper o cárcere intelectual dos seres humanos estimulando-os a serem livres no território da emoção. Por isso, expunha suas idéias e nunca as impunha.
Assim, dominado o ego, fácil é conquistar a harmonia com o mundo exterior, porque o maçom sente-se integrante do Universo como peça necessária, e não como simples espectador, ou mesmo adversário de tudo e de todos. Os impulsos vão cedendo lugar aos altruísmos e o ajustamento vai se tornando cada vez mais espontâneo, a integração cada vez mais perfeita; é a felicidade a que devemos aspirar.
Jesus convida a todos os seres humanos a pensar nos mistérios da vida.
A procura da harmonia com o mundo exterior gera o sentimento de fraternidade, expressão de solidariedade, do amor do indivíduo por seus semelhantes e é um modo de ser que se traduz por solidariedade, tolerância e lealdade.
É fácil reagir e pensar com lucidez quando o sucesso bate à porta, mas é difícil conservar a serenidade quando as perdas e as dores existenciais invadem a vida de cada um. Muitos, nessas situações, revelam irritabilidade, intolerância e medo. Se quiser observar a inteligência e a maturidade de alguém, não se deve analisá-las nas primaveras, mas nos invernos de sua existência.
Muitas pessoas, incluindo intelectuais, comportam-se com elegância quando o mundo as aplaude, mas perturbam-se e reagem impulsivamente quando os fracassos e os sofrimentos cruzam as avenidas de suas vidas. Não conseguem superar suas dificuldades nem sequer extrair lições das intempéries.
O equilíbrio espiritual gera, portanto, a conduta altruística. Reciprocamente, a prática do bem, expressão de altruísmos, reflete-se sobre o espírito fortalecendo-o e tornando-o mais estavelmente equilibrado.
Jesus não se perturbou quando seus seguidores não corresponderam às suas expectativas. Ele usou cada erro e dificuldade dos seus íntimos não para acusá-los e diminuí-los, mas para que pudessem rever suas próprias histórias.
A prática do bem é para o maçom a norma de ação natural, por meio dela, ele se sente integrado no cosmos e conquista cada vez mais a paz interior, que é a verdadeira felicidade.
O Mestre da Escola da Vida não estava muito preocupado em corrigir os comportamentos exteriores dos mais próximos, mas empenhado em estimulá-los a pensar e a expandir a compreensão dos horizontes da vida.
Para tornar sua doutrina mais facilmente assimilável, como também para inspirar conceitos mais amplos, a Maçonaria transmite seus ensinamentos por meio de símbolos. Cada maçom vê esses símbolos conforme o seu grau de evolução, sem contudo, afastar-se dos fundamentos da doutrina. Assim, todos poderão evoluir sem submeter-se a padrões excessivamente rígidos, sem forçar o seu modo de ser, a medida que vão evoluindo vão encontrando horizontes mais amplos e vastos, interpretações cada vez mais completas, mais amplas, mais perfeitas. É uma integração evolutiva no conceito universal.
Cristo é amigo íntimo da paciência, sabe criar uma atmosfera agradável e tranqüila. São estas suas palavras: “Aprendei de mim, pois sou manso e humilde...” (Mateus 11:29).
Tal como em relação ao indivíduo, a doutrina maçônica deve proporcionar à própria Ordem, considerada como um todo, uma norma de conduta. Essa norma de conduta, para ser coerente com os fundamentos da doutrina, não pode deixar de ser harmoniosa, pacífica, tolerante, paciente, construtiva. Longe de preconizar a violência, a maçonaria não agride, apenas defende-se dos ataques que recebe.
Quem vive sob o peso da culpa fere continuamente a si mesmo e torna-se seu próprio carrasco. No entanto, quem é radical e excessivamente crítico dos outros transforma-se em um “carrasco social”.
Nos terrenos sinuosos da existência é que a lucidez e a maturidade emocional são testadas.
Infelizmente, os sentimentos egoísticos, opostos a harmonia que a tudo preside no Universo, geram forças nefastas em luta constante contra as forças do bem e, portanto, contra a maçonaria. Procurando manter as massas na ignorância e na escravidão dos preconceitos, as forças egoísticas provocam as manifestações de intolerância, ódio e injustiça, fomentam a exploração do homem pelo homem, a tirania, as lutas sociais, as guerras e todas as demais formas de atrito e choques que tornam a humanidade sofredora. Esta é a luta permanente, que é a própria razão de ser da Ordem Maçônica.
Na Escola da Vida não há graduação. Nesta escola, o melhor aluno não é aquele que tem consciência de quanto sabe, mas de quanto não sabe. Não é aquele que proclama a sua perfeição, mas o que reconhece suas limitações. Não é aquele que proclama a sua força, mas o que educa a sua sensibilidade.
Jesus possuía um conhecimento raro e secreto, divino ou espiritual e parcialmente científico. Este conhecimento permitia-lhe posicionar-se com envergadura e conhecimento de causa.
Jesus afirmou em várias ocasiões que os Grandes Mistérios, os Grandes Segredos que ele ensinava a uns poucos em reuniões secretas não podiam ser revelados às multidões, que seriam incapazes de compreendê-los.
É fácil mostrar serenidade quando a vida transcorre como um jardim tranquilo, difícil é quando nos defrontamos com as dores da vida.
Não existem gigantes no território da emoção. Muitas vezes os comportamentos são descabidos, desnecessários e ilógicos diante de determinadas frustrações.
Começa-se a entender os ensinamentos de Jesus e admirá-los quando efetivamente descobre-se a sua dimensão. A liberdade passa a ser uma das dimensões que se busca. Um mestre como ele preza demais a liberdade, e foi exatamente essa liberdade que veio ensinar. Ele não deseja servos e sim amigos. Afirmou categoricamente: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. (João 8:32)
A liberdade de consciência e, portanto, de opinião, é irrestrita. A liberdade de ação, contudo, é limitada pela liberdade alheia. A liberdade do indivíduo não pode ferir os direitos de outrem, inclusive o próprio direito de ser livre. A liberdade é, assim, subordinada ao bem-estar coletivo. Para que a liberdade de crença e de opinião não crie dissensões no seio da Ordem, a Maçonaria não permite discussões político-partidárias, religiosas e sociais em seus trabalhos, nem manifestações de tal modo em seu nome e sob a qualidade de maçom. É um antigo costume, embora não seja um Landmark.
Da mesma forma, a igualdade deve ser entendida como igualdade de direitos em igualdade de condições, sem distinção de castas, raças ou grupos sociais (políticos, religiosos, partidários etc.). A igualdade não é, portanto, o nivelamento puro e simples dos indivíduos, pois estes diferem entre si pelo seu valor, decorrente das qualidades pessoais. Cada um presta à coletividade serviço de maior ou menor importância, merecendo, em retribuição, prerrogativas correspondentes a sua função social.
Essa função social se apresenta por meio da fraternidade é a expressão do amor ao próximo e da solidariedade humana. Tal como a igualdade, a fraternidade pode ser entendida como nivelamento de indivíduos, ignorando-se a diferenciação natural que decorre do mérito de cada um. A fraternidade exclui aqueles mesmos preconceitos, aquelas mesmas distinções que a igualdade recusa, mas faz tábua rasa do valor pessoal de cada um. A grande família humana, como qualquer família, possui membros de maior ou menor valor social e reconhecer esses diferentes valores é de primordial valia.
“A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou”, afirmou Jesus. (Jo– 7,16)
Os fatos são inflexíveis. A verdade sempre aparece, mesmo quando ocultada ou disfarçada atrás de alegorias, parábolas e interpretações estranhas.
Nas entrelinhas de suas mensagens, não importa em que forma sejam divulgadas, ficam revelados, como que por meio de um véu, breves vislumbres das verdades que o buscador é convidado a desvendar. E quando o estudante se sente preparado ou revela seu preparo por meio de sua atitude, sua perseverança e sua grandeza de espírito, então o mestre aparece e o caminho se abre diante dele.
A Maçonaria proclama, como sempre o fez, desde sua origem, a existência de um princípio criador, sob a denominação de Grande Arquiteto do Universo; proclama a liberdade de consciência como sagrado direito humano, não impondo limite à investigação da verdade, garantindo a liberdade e exigindo de todos os seus membros a maior tolerância, honra o trabalho em suas formas honestas e o tem por dever, a que nenhuma pessoa válida pode fugir das suas obrigações; proscreve qualquer discussão sectária, de natureza política ou religiosa, dentro de seus templos ou fora deles, em nome da Ordem; condena o despotismo e trabalha, incessantemente, para unir a espécie humana pelos laços do amor fraternal; impõe o culto à pátria, exige respeito absoluto a família e não admite a menor ofensa nem a uma nem a outra; cada Loja é um templo sagrado, sob cuja abóbada os homens livres e de bons costumes devem reunir-se fraternalmente, procurando conseguir o bem da humanidade; todo pensamento maçônico deve ser criador. Essa atitude mental engrandece o espírito e fortifica o coração. Cada maçom, parte viva dos irmãos, concorrerá para assimilar o ideal da Ordem e desenvolvê-lo na capacidade de sua inteligência.
A Maçonaria é acessível aos homens de todas as classes sociais, crenças e convicções políticas, com exceção daquelas que privem o homem da liberdade de consciência e exijam submissão incondicional a seus chefes. Em seus templos aprende-se a amar e a respeitar tudo o que a virtude e a sabedoria consagram, exigindo estudo meditado de seus rituais e a prática da solidariedade humana. A maçonaria, por conseguinte, é uma instituição criada para combater tudo o que atente contra a razão e contra o espírito de fraternidade universal.
Os ensinamentos maçônicos, realizados por meio de símbolos e de alegorias universais, induzem seus adeptos a se dedicar a felicidade de seus semelhantes, não porque a razão e a justiça lhes imponham esse dever, mas porque o sentimento de solidariedade é qualidade inata que os tornam filhos do Universo e amigos de todos os homens.

Ser Maçom, Ser Cristão

Ser maçom é ser amante da Virtude, da Sabedoria, da Justiça e da Humanidade, é ser amigo dos pobres e desgraçados, dos que sofrem, dos que choram, dos que têm fome e sede de justiça e é propor como única norma de conduta a busca do bem de todos e o seu progresso e engrandecimento.
O Mestre provou que suas doutrinas não eram apenas filosóficas, religiosas, morais e éticas, mas que também tinham um valor prático na vida cotidiana.
Ser maçom é querer a harmonia das famílias, a concórdia dos povos, a paz do gênero humano, é derramar por todas as partes os esplendores divinos da instrução, a educar a inteligência para o bem, conceber os mais belos ideais do direito, da moralidade e do amor e praticá-los, além de levar à prática aquele formosíssimo preceito de todos os lugares e de todos os séculos, que diz, com infinita ternura aos seres humanos, indistintamente, do alto de uma cruz e com os braços abertos ao mundo como a concitar-nos à prática do preceito Maçônico: “Amai-vos uns aos outros, formai uma única família, sede todos irmãos!”  
Cristo ensinou aos seus discípulos a natureza das enfermidades, sua causa e a maneira de tratá-las. Explicou-lhes como seria falacioso depender exclusivamente de remédios e plantas, ou recorrer a bruxarias, encantamentos e outras formas de tratamento, quando há um poder divino que pode e deve se exercer através do homem e cuja essência é o poder criativo que Deus usou no começo dos tempos para criar o Universo e tudo o que existe acima e abaixo da Terra.
Ser maçom é esquecer as ofensas que nos fazem, ser bom, até mesmo para com os nossos adversários e inimigos, não odiar a ninguém, praticar a virtude constantemente, pagar o mal com o bem. Ser maçom é amar a luz e aborrecer as trevas, ser amigo da ciência e combater a ignorância, render culto à razão e à sabedoria, é praticar a tolerância, exercer a caridade, sem distinção de raças, crenças ou opiniões, lutar contra a hipocrisia e o fanatismo.
A senda para a vida eterna, os verdadeiros princípios da imortalidade da alma, a purificação do corpo e do “eu interior”, a aquisição da beleza espiritual, da força divina e da harmonização com Deus, eram algumas das questões explicadas gradualmente por Jesus, tanto nas reuniões coletivas como em instruções individuais. A lei do triângulo e o significado da Trindade, temas fundamentais, eram tratados em todas as discussões filosóficas e nas demonstrações físicas ou alquímicas das leis universais.
A Maçonaria é parte integrante da História Pátria e Universal, os maçons sempre estiveram presentes nos grandes eventos, defendendo a trilogia sagrada Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Assim lutaram e venceram os antigos maçons, assim lutam hoje, assim lutarão amanhã os seus sucessores, empunhando essa mesma bandeira.
Trabalhando pela felicidade do gênero humano, os maçons se consideram recompensados e realizados, pois servindo ao próximo estão observando os ensinamentos da Sublime Instituição.
Todos aqueles que satisfizerem estes requisitos e desejarem cerrar fileiras com os Apóstolos da Liberdade e Sacerdotes do Direito deverão se comprometer a trabalhar pelo bem estar da Pátria e da Humanidade.
Aquele que for convidado e aceito será considerado irmão, passando a fazer parte da grande Família Maçônica Universal.
As grandes verdades de que foram mensageiros alguns seres humanos que por aqui passaram provieram de uma Fonte Divina, por meio de visões, inspirações e impulsos. Eles revelaram essas verdades à humanidade gradativamente, guiando-a por etapas para planos de existência cada vez mais elevados e para a ampliação de sua consciência e compreensão.
O homem maçom, que efetivamente burila seu interior buscando se conhecer melhor, na corajosa e edificante tarefa de combater o despotismo, as tiranias, os preconceitos, as injustiças, a ignorância e os erros, provendo o triunfo da Verdade, da Liberdade e da Justiça, pugnando pela evolução do ser humano, o bem estar da Pátria e da Humanidade, levantando templos à virtude e cavando masmorras ao vício, acaba por mostrar que a maçonaria é: gentileza em casa; honestidade nos negócios; lealdade no trabalho; cortesia na sociedade; compaixão e inquietação pelos doentes e infelizes; resistência às adversidades; ajuda aos fracos; perdão aos arrependidos; amor ao próximo.
A maçonaria é uma filosofia de vida, ensinando-nos a bem viver, mas acima de tudo, está a necessária reverência e amor ao Criador, que chamamos de O Grande Arquiteto do Universo.
Por “Mistérios do Reino dos Céus” deve-se entender, portanto, as verdades gloriosas do Evangelho, que somente os mais adiantados discípulos podiam compreender naqueles tempos, ainda que apenas parcialmente. Percebemos, portanto, que esses homens discerniam que a palavra “mistério” refere-se a uma verdade superior.
Diferente do que muitos pensam, a maçonaria não é uma sociedade beneficente ou securitária, ela não visa lucro nas suas ações ou eventos. Todavia, são imensuráveis os serviços caritativos prestados por ela, no esforço comum e na solidariedade de todos os irmãos, mesmo fora dos quadros de suas lojas. Ela prega a fraternidade e o autodesenvolvimento e, através da exemplificação dos princípios e preceitos da Ordem Maçônica, procura tornar melhores os homens em suas fileiras.
Os ensinamentos da Maçonaria estão baseados em princípios éticos, aceitáveis por todos os homens de bem. Entre seus preceitos figuram o entendimento e a caridade para toda a humanidade. Apesar de perseguida e discriminada muitas vezes, a Ordem Maçônica tem perseverado em sua obra.
A Maçonaria proclama, orgulhosamente, que é composta por homens que estão comprometidos a estender amor fraternal e afeição a todos, em qualquer lugar, sem interferir nas crenças de qualquer um de seus membros, sejam religiosas ou leigas, sem buscar obter vantagens para seus obreiros, do ponto de vista profissional ou político.
Os discípulos de Jesus sabiam que estavam sendo instruídos em mistérios secretos e doutrinas novas e, portanto, ainda desconhecidas, e isto pode ser verificado nas palavras impressas no Novo Testamento. Basta atentarmos nestas declarações de Jesus aos seus discípulos: “A vós é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus”; “Falamos da sabedoria de Deus, oculta em mistério”; “E somos os depositários dos mistérios de Deus e compreendemos todos os mistérios”; “Os mistérios que nos foram dados a conhecer”; “Revelamos os mistérios ocultos no silêncio desde a noite dos tempos”; “Preservando em pureza o mistério da fé” etc. Essas passagens e outras de teor semelhante podem ser encontradas nos livros do Novo Testamento.
Para tornar o mundo melhor, não é preciso que todos os seres humanos sejam perfeitos. Basta que cada um faça esforços para se aperfeiçoar, o que implica em querer transmutar seus defeitos enquanto coloca suas qualidades a serviço dos outros. Esse é o ideal ético que move os homens maçons.
Assim, uma vez conhecida essa verdade, isto é, a importância do pensamento como poderosa força de atração tanto do bem quanto do mal, deve o homem-maçon, em seu benefício e no daqueles com quem convive, nortear a sua vida de modo a pôr em prática os conhecimentos adquiridos na nossa Sagrada Instituição que em nada difere daqueles ensinados pelo Rabi da Galiléia.


Antônio Padilha de Carvalho - M:.M:. da ARLS Acácia do Rio Abaixo nº 35. Or:. Santo Antônio do Leverger – MT.


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